quarta-feira, 23 de julho de 2008

Respeitável Público!

Estou desenterrando alguns entreveiros em linhas tortas e outras pensaduras que deixei por ali. Não está na ordem cronológica, mas vale o momento, a lembrança.

Respeitável Público!

Foi muito emocionante. A arena do circo estava lotada, pequena, mas lotada, uns 200 ávidos espectadores.
Eles compravam pipocas, refrigerantes e ajustavam as máquinas para o momento da entrada dos atores.
Como sempre, atrasado o início. Cheguei um pouco tarde (ou será que madrugaram ali? Não sei, afinal fãs maiores não existem!) e acabei ficando no fundão, mas estava lá, presente de corpo e alma. O frio na barriga e o nó na garganta de todos era visível, comigo não seria diferente. Teve direito a tudo: holofotes, brilhos e efeitos, direito até àquela velha chamada: " Respeitável público...".
Suava. O lugar é ventilado, mas a gente não sua só de calor.
Abriram as cortinas e o Espetáculo começou! Cada um que aparecia no palco, alguém pulava na platéia.
Flashs, filmes, gritinhos, acenos, uma excitação generalizada!
Primeiro apareceu um dos meus favoritos; estava lindo! Que interpretação... A delicadeza de cada gesto... Sim, ele ficou parado olhando para cima, admirando o cenário e as luzes, e nada mais, mas foi muito bom, afinal estava de palhaço!
O outro apareceu depois, noutro ato, lindo também. Sentia-se A Estrela do grupo e era!
Ao findar muitos aplausos, longos minutos e todos em pé.
No palco eles pulavam de alegria pela excelente apresentação.
Na platéia, nós em êxtase profundo, olhos marejados com a doce certeza e lembrança que no ano que vem haverá outra festa de encerramento do colégio.
Parabéns e muito obrigado meus filhos!

Dezembro/07

Es'sacana?

Cana
Essa cana
És sacana?
que nada!
Puro e doce
Feito garapa!
Cortas,
Esmagas,
Torces,
Sorves a última gota.
"Bom demais!
E o pastel à acompanhar?"
Tinha e se acabou

Fecho a barraca.

O trabalho nem sempre é bom?

Existe uma constante, o trabalho nem sempre agrada... já pensou em mudar?
Que tal um lugar onde seu chefe nunca faz visitas? Frente mar, aliás, com visão panorâmica para o mar? Friozinho? Interessou? Veja o filme abaixo, encaminhe seu curriculum vitae e boa sorte!
Ah, não espere visita minha!




Não gostou? Então volte a trabalhar feliz! Poderia ser bem pior!!!

terça-feira, 22 de julho de 2008

Dia do Sexo - 06 de setembro

Tem dia para tudo no nosso calendário, mas uma das coisas mais importantes era quase que ignorada: O SEXO. Sabemos que se deve ao puritanismo, preconceitos, tabus e outras coisas, não quero me deter ai, mas a sociedade "evoluiu", ou não?
Calma, a proposta não é nenhum tipo de festa, ou suruba propriamente dita, com ingresso pago, comes e bebes e ala vip, é apenas "um dia para a sociedade brasileira discutir abertamente o assunto, mostrar o seu lado positivo, quebrar tabus, acabar com preconceitos e, é claro, fazer sexo."
Numa campanha pra lá de inteligente a marca de preservativos Olla acaba de lançar a data: 06 de setembro. Além de ser véspera de feriado é uma data muita sugestiva: 6/9!
Grandes empresas como MTV e Vírgula.com apóiam a iniciativa, faça o mesmo, na pior das hipóteses lembre-se da data, servirá como mais uma cantada barata!
Cientisas aprovam, dizem que mantem a pressão vascular estável, previne queda de cabelo, melhora o humor, evita o stress, faz bem para a pele...
Ainda precisa de uma justificativa melhor?

"Sexo é hereditário. Se seus pais nunca fizeram, você não fará!"
David Drew Zing

quinta-feira, 17 de julho de 2008

O Sapo, um conto Zen

Se existem três sapos numa folha, e um deles decide pular da folha para a água, quantos sapos restam na folha? Resposta certa: três sapos! Porque o sapo apenas decidiu pular mas ele não fez isso. Às vezes a gente não se parece com o sapo?
Quando decidimos fazer isso, fazer aquilo e no final não fazemos nada? Na vida temos que tomar muitas decisões. Algumas fáceis outras difícies. Rir é correr o risco de parecer tolo. Chorar é correr o risco de parecer sentimental. Abrir-se para alguém é arriscar envolvimento. Expor as idéias e sonhos é arriscar-se a perdê-los. Amar é correr o risco de não ser amado. Viver é correr o risco de morrer. Ter esperança é correr o risco de se decepcionar. Tentar é correr o risco de falhar.
Os riscos precisam ser enfrentados porque o maior fracasso na vida é não arriscar nada. A pessoa que não arrisca nada, não faz nada, não tem nada, é nada. Ela pode evitar o sofrimento e a dor mas não aprende, não sente, não muda, não cresce, não vive. É uma escrava que teme a liberdade. Apenas quem arrisca é livre.

Texto extraído na integra daqui!

terça-feira, 15 de julho de 2008

Se eu fosse Lupiscínio

Antes que perguntem ou achem qualquer coisa, este poemeto não tem nada haver com momento pessoal atual, a postagem ocorreu pela identificação de um tempo distante e até repetido, mas que não chegará (muito provavelmente) aos olhares desatentos de quem recordo; gente que pouco Observa, e que até onde sei, não Observa nada por estas paragens...
Desfrutem de qualquer forma, é bonito e do Castelo; aquele do conjunto Língua de Trapo! Não é do seu tempo? Não lembra? Ah, paciência, visite a página dele, é um excelente blogador!

SE EU FOSSE LUPISCÍNIO

Eu não sou o Lupiscínio
Ai meu Deus, quem dera fosse
Pôr o mal que você trouxe
Num sambar de tirocínio

Eu não sou o Noel Rosa
Mas bem que podia ser
Desdenhar seu proceder
Através de verso e glosa

Estou à léguas de Francisco
Não freqüento Caetano
Nem seu círculo baiano
Sou poeta à conta e risco

A quilômetros do Tom
E se fosse assim tão bom
Não perdia o tempo amigo

Descrevendo o pormenor
De um romance tão menor
Como foi o meu
contigo

terça-feira, 24 de junho de 2008

"Ansiedade", mas não é meu... caiu do céu!

A modernidade fez com que todos os meus papeis fossem transformados em arquivos. Nada mais de lembretes, versinhos, testículos (de textos pequenos) ou coisas assim em papel. Tudo é arquivo devidamente arquivado, desorganizado em uma organização própria dentro de um notebook.
Hoje quando procurava por um e-mail achei um outro que nem me lembrava. Retirei o texto não sei de onde e como não deixei marcas, não sei qual foi seu ilustre autor. Seja de quem for, se souberem, me informem para dar devido crédito, afinal não é meu, mas adorei reler isso hoje.
É engraçado, tem coisas que fazem tanto sentido para nós em certos momentos e caem assim, do céu...

Ansiedade

O asco que me corrói a vida; esta boca amarga; esta saliva de mistura com areia que eu tenho de engolir; um cheiro ruim me invade as narinas e eu não vejo para onde escapar porque, para onde eu for, ali estou eu com meus mil anos entalados no peito, atando um nó que me tira o ar e, em desespero, sinto-me sufocado, capaz de,em fração de tempo, cometer os piores desatinos, motivado por essa coisa que me nega a razão.
Estou só e minha solidão nutre a insegurança e o medo cresce; aborreço-me de qualquer presença, embora compreenda que, só por ela, eu consigo acalmar essa ventania que me torce os nervos e se enrola dentro de mim, parecendo levar os órgãos do estômago a se dispersarem num vôo para lugar algum.
Estou só; os de fora não entendem a singularidade de minha apatia; ela cresce em descrença de tudo; por vezes me vem uma sombra, um desejo de antecipar o tempo, numa explosão vazia. Não faço isso enquanto houver unhas para roer, até que alguém me ridiculariza pelo estrago.
Bem que eu podia ficar sem essa; sinto-me ofendido e transfiro meu tédio para o ofensor; não conhece meu drama; centro nele meu asco amargo e me esqueço de mim mesmo... então percebo o início de uma mudança; foi tão simples; foi apenas um locomover da mente, uma alteração de foco. Passada a sexta-feira santa, eu já encaro a vida com olhos de sábado de aleluia. O que aconteceu comigo? Ah! Já sei: foi apenas o esquecer de mim mesmo; foi apenas um desvio da mente para outro lado.
Eu teria me livrado de tudo aquilo se tivesse feito convergência no coração, porque ali está a cura de todos males. Entendo agora aquela máxima, segundo a qual “o coração tem razões que a própria razão desconhece".

domingo, 22 de junho de 2008

Colagem de quem morre aos poucos... será?

Morrer exige um bocado de vida, de vivência.
Não faz sentido? Leia a mais esta colagem de texto do querido amigo Manoel Nery!

A morte de mim mesmo


Há muito tempo sim, venho morrendo. Cada abdicação é um ato de morrer. A abdicação não é morte que aniquile; é morte que vivifica.
Se temos consciência de que em nós, outros valores fazem morada, é preciso que os consideremos no conduzir nosso destino. No convívio desses valores, precisamos abdicar da palavra e dos pensamentos; esses dois abdicares são os requisitos que encontram afinidade com a morte.
Não abdico dos bens porque não os tenho; mesmo se os tivesse, não me teria prendido a eles; não são os bens que nos dissipam; nós é que nos dissipamos pela obsessão com que os preservamos.
Se eu vou precisar fazer uma prova na faculdade, eu preciso estudar, preparar-me; por que não adotar o mesmo critério se a morte é uma prova? De maneira que minha abdicação seja um ato de adaptação ao que está por vir.
Morro todo dia na minha condição de recluso; morro todo dia e a solidão vem me cochichar segredos de outras instâncias, onde a sabedoria é cantora mestra; fico motivado por aderir-me ao coral dos espíritos que souberam afinar-se nos diapasões de outras plagas. Ali a sabedoria dá o tom e as vozes se espalham pelos recantos do sem-fim.
Deixo meu testamento composto de intenções; é só pegar e registrar como de cada um; os herdeiros serão aqueles a quem servirem os bens de meu testamento.
Deixo minha alma entre amigos; ela será testemunha de que não soneguei o saber, já porque nada sabia.
Por fim peço a meus amigos que, se encontrarem algum espólio de mim em seu coração, dividam com outros; que a semente se propague de geração em geração.


Fora disso, é o vazio em que já vivo, celebrando a cada dia a morte de mim mesmo.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Cognosco

Como disse um amigo meu, ainda bem que ele não se atreve entrar na minha seara, caso contrário eu enfiaria a viola no saco e ia cantar em outra freguesia...

Pessoal, Observem este blog português: Cognosco

A organização de pensamento, os títulos, os temas variados... o blogador é muito bom.

Fiquei feliz por ter encontrado, tenho mais uma fonte leitura inteligente!

Aproveite! Desfrute!

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Para que serve o amor?

Uma imagem vale mais que mil palavras, clichezinho velho, mas comprove neste curta francês:

segunda-feira, 31 de março de 2008

Copia meu filho!

Ter um blog exige uma certa dose de paciência, criatividade e tempo. Itens caros no mundo de hoje e difícil de termos todos os dias.
Resultado? Copiar e colar ou o tão simples crtl + c e crtl +v.
Mas isso é tão obvio que existe até um blog: Copia meu Filho.
Passa lá, hoje não vou copiar nada.

Dois corpos que caem

Eu estava procurando um vídeo para a Observação abaixo, e econtrei esse aqui.
Um outro programa que não existe mais, Contos da meia-noite.
Aqui, interpretado pelo Abujamra o texto de João Silvério Trevisan, Dois corpos que caem.
Sensacional!

domingo, 30 de março de 2008

Provocar

Os que me conhecem sabem o quanto gosto desse verbo. Provoco algo e paro para Observar. Às vezes, para não chocar, aviso que estou somente provocando. Estranho, quando faço isso parece que muitas pessoas se empolgam e a provocação pega um tom bacana e o provocado deixa-se levar, rendendo um bom caldo.
O assunto pode ser qualquer um. Basta tê-lo somado a uma dose de paciência e ouvidos limpos.
Provocar exige uma certa rapidez de pensamento, não é tão fácil, exige treino, mas faz bem para os dois lados: provocado e provocador.
Alguns sabem que sou um tanto crítico à qualidade da programação das TV's disponíveis, ainda que eu confesse que assista à tudo, mas existem algumas coisas que realmente se destacam. Existem alguns quase oásis em meio à porcaria geral, e ainda bem que existem!
O maior Provocador que existe hoje é o Antônio Abujamra e o programa, claro: Provocações
Não viu ainda? Está perdendo, realmente vale a pena!

É um programa de entrevistas com abertura e encerramento com leitura de um texto de algum autor bacana ou adaptado.
Veja esse aqui lido pelo Abu (Como é conhecido): chama-se Provocações e é do Luís F. Veríssimo.
É necessário Windows Media
Divirta-se, provoque, observe.

quarta-feira, 26 de março de 2008

O Homem da Máscara de Ferro

O filme é novo, 1996, com aqueles elencos americanos que prefiro não me deter muito, Leonardo diCaprio etc e tal, mas isso aqui foi de outra época.
Coloque ao filme uns 40 anos a menos, lá numa cidade típica do interior do nordeste, mais precisamente do Maranhão.
Havia numa família, uns 10 filhos, vida apertada, nada muito fácil. Brinquedo nem pensar. Quando muito um carrinho feito de lata de óleo e o que mais houvesse à mão. Casa modesta e por sorte, de fundo para um rio caudaloso. Bom mesmo era brincar no rio e comer manga verde no pé.
Na lide diária, tudo era dividido. Uns varrem, outros lavam a louça, outros cozinham, além de estudar. Outra sorte dessa família, que fez todos filhos Ingenhero ou Dotô.
Não se sabe ao certo se por ler algo à respeito ou ouvir alguém dizer alguma coisa, mas um dia, durante a lavação das panelas do almoço na beira do rio, tarefa que deveria ser cumprida com esmero e dedicação, deixando o fundo feito espelho, um dos meninos pegou uma das panelas limpas e colocou sobre a cabeça. Brincando como qualquer criança, dizia aos irmãos ser o Homem da Máscara de Ferro, gritava e mergulhava na beira do Rio com a panela sobre a cabeça. Ele ficou fascinado, como a panela era funda, podia mergulhar que sobraria algum tempo a mais de ar.
Naquele dia, brincou com essa estória enquanto os demais terminavam a louça. Ele gritava: Eu sou o Homem da Máscara de Ferro! Eu sou... E mergulhava feliz enquanto os outros achavam graça.
Findada a tarefa, e alguns mergulhos mais tarde, ele tentou tirar a panela, mas não conseguiu.
Foi um tal de puxa daqui e força dali, mas mesmo assim, nada.
A agitação da criançada logo chamou a atenção da mãe. Temida naquele momento por conta dos possíveis tapas e castigos. Mas na verdade, talvez ela tenha ficado mais assustada que todas as crianças.
Após conseguir se acalmar tentou com tudo o que era produto escorregadio que estivesse à mão. Óleo, vaselina, sabão, mas nada da panela sair.
A criança já havia parado de chorar, mas quando lembrava da surra que poderia pegar logo após a retirada, a lágrima corria pela face.
Veio a vizinha, a outra e uma filha, e nada. Um peão mais forte levantou o menino do chão pela panela, e quem disse que saia do lugar.
Se havia algum consolo para o menino da panela não sair,era a possibilidade da surra ser menor, uma vez que não estava de todo recuperado; poderia ser tratado como um doente. E estranhamente, isso o deixava mais feliz! Ao mesmo tempo quando ouviu falarem em chamar um ferreiro na vila ao lado um frio subiu lhe o espinhaço. Ficava ali, com a panela na cabeça e a mente longe pensando como que seria a forma do ferreiro ajudar. E se ele errar e me machucar, pensava o garoto.
O tempo ia passando e o clima na casa ficando cada vez mais pesado. O menino chorava, a mãe gritava, os outros irmãos assustados brincavam com o fato, e era vizinho e mais vizinho que chegava para ver o ocorrido e tentar ajudar e nada da situação acabar.
Foram muitas pessoas que tentaram, de reza a graxa, mas não houve quem conseguisse, até aparecer o Dotô, primo do cunhado do vizinho, que por um acaso estava de passagem por ali.
Entre clamores e pedidos de misericórdia o Dotô veio até o menino, a essa hora já devidamente conhecido e identificado por todos da região como o Homem da Máscara de Ferro, atual, verdadeiro, ao vivo e em cores.
Ele chegou perto, olhando com estranheza o fato, um esboço de riso quase se formou, mas o assunto era sério, não podia demonstrar ironia diante de tantos familiares aflitos, perguntou ao menino sobre dores e este respondeu que nada sentia além do peso da panela.
Analisou a criança em silêncio, mexeu no pescoço, apalpou-lhe os gânglios e verificou as vértebras, mas nada de errado achou. Levantou da cadeira e segurando pelas alças da panela fez uma torção leve para um lado e para o outro, e o menino que estava suspenso pela panela desabou na cadeira para a surpresa de todos que assistiam da porta do recinto.
Foi muita alegria, a mãe abraçou o menino e depois correu para agradecer ao Dotô. Café fresco e bolo de tapioca, afinal a angustia havia terminado. A mãe, para espanto de todos os outros irmãos, amoleceu o coração e não deu a surra esperada. Para o menino foi muito mais que uma vitória, além da surra não dada agora brincava com os outros irmãos e vizinhos, onde era devidamente reconhecido como o Homem da Máscara de Ferro, e claro sem a máscara. O menino cresceu, assim como os outros irmãos inginheiro formado na capital. Fez família.
Por ironia do destino hoje é careca, o único da família, uns dizem que é por conta da panela, ou melhor, da máscara de ferro, mas para ele pouco importa, ele pode usar boné à vontade!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

O Erro!

Na verdade está tudo errado. Começamos pelo título. O correto seria Observo-me em quase tudo.
Não, não é frustração, é pura constatação.
Li e reli tudo. Todos os Meus anseios e desejos de um tempo passaram por aqui. Junto com eles as frustrações, as perdas ou as "não conquistas", tudo o que no título do Blog não cabia.
Afinal, quem observa, observa algo, se esse algo é tudo, não está vinculado ao umbigo de quem escreve.
Tudo errado!
Algo de mal nisso? Não vejo, o erro e a sua constatação por quem erra acho que é uma das supostas virtudes humanas, mas... o que me incomoda no erro é a auto-constatação.
Ser pego errando e concordar não nos dá chance de retórica, não há muito o que fazer a não ser reparar, quando é possível, ou na pior das hipóteses, ficar com cara de cachorro que fez algo errado; cara de cão lambão. Mas aqui quem escreve se culpa, e haja chicotes e açoites.
Prometo, ou melhor, não prometo nada, mas tentarei melhorar e passar a observar o todo, tudo, e chega do meu circunspecto umbigo. BASTA!
Perdoe-me leitor.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Observando "O Perdão"

Faz tempo que não escrevo.
Alguns me perguntam se estou bem, o que tem acontecido. Explico: trabalho querido leitor, trabalho... sem ele a roda não anda e como ainda não fui agraciado com um cartão corporativo do (des)Governo, não ganhei os últimos R$20 milhões da Mega-Sena, porque também não jogo, só me resta continuar na labuta.
Mas estou bem, seguindo a “doce” rotina, ainda que de vez em quando ela teime em ficar meio amarga; mais açúcar!
Tenho algumas dívidas minhas para colocar por aqui... O texto sobre os ciclos, outro sobre o sonho do homem ser como Ícaro fazendo um paralelo aos brinquedos de criança e adultos, mas por falta de tempo (ainda), deixo-os com mais um texto do amigo e Mestre Manoel. Eu sei, é coisa de vagabundo copiar sem expressar opinião verdadeira, mas nesse caso a única opinião breve que posso dar é que o Autor consegue em poucas linhas explicar coisas não tão simples com maestria! Um brinde!

"O Perdão


É um ato de isenção ante situações desagradáveis, ofensivas, humilhantes e tantas outras formas de ofensa. Você se isenta daquilo; aquilo não é pra você; o endereço está errado.
O perdão não é um princípio de religião; as religiões é que o adotaram como norma de orientar-nos a sairmos da lei de causa e efeito. A lei de causa e efeito é da Física: a cada ação corresponde uma reação da mesma natureza e em sentido contrário.
Traduzindo em miúdos, tudo o que eu faço volta para mim. Esta é uma lei como o jogo de ioiô: joga-se o ioiô e ele volta. Se tudo o que eu faço volta para mim, o ódio que eu tenho por alguém volta para mim, a mágoa, a inveja, o medo tudo volta para mim, sedimentando sempre mais meu rancor.
Quando alguém me ofende, lança sobre mim uma carga de energia do movimento; eu posso receber ou não aquela energia; se dou atenção àquilo, estou recebendo aquilo; se revido, fico saturado da energia ruim que veio do ofensor; saio do meu normal e vou agir conforme ele quer. Se me mantenho em repouso, se a provocação é ignorada, a energia que veio volta para o agressor porque eu estou num nível de energia que a dele não alcança.
Está aí na Internet a história daquele monge provocado por um samurai; o samurai o ofendeu de toda forma. Depois de algumas horas, saiu xingando o monge de covarde por não ter aceitado o desafio. Então os discípulos:
- mestre, como é possível o senhor suportar tanto!
- quando alguém lhes traz um recado que não é endereçado a vocês, o que vocês fazem?
- nós devolvemos; houve erro de destinatário!
- aquele moço trazia um recado que não era para mim; era não receber.
Dá pra perceber o que é o perdão? É colocar-se nesse ambiente de neutralidade em qualquer circunstância da humilhação, usurpação, ingratidão.
O perdão não é o ato de dizer “eu perdôo”; isso pode não significar nada; o perdão é ato de me manter sereno diante das más intenções.
Quem perdoa sai da turbulência; quem perdoa entra em si. O perdão é uma espécie de esconderijo; eu me escondo das intenções ruins do ofensor; o perdão é uma capa de proteção. Estejamos protegidos.
O fato de eu perdoar não me isenta de levar o agressor à justiça. Se não fizer a queixa, eu estou sendo conivente com as atitudes do agressor; ele se sente estimulado a repetir as mesmas atitudes com outra pessoa.
Nos filmes em que aparece oposição bem e mal, uma das facções está sempre agitada; a oposta está calma, está neutra, já se deduz quem vai vencer, por maiores que sejam as estratégias do rival."
Texto extraído na íntegra do Blog Ser - Por Manoel Nery

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Livro velho, livro novo

Cem
meses
Sem
verdade
Cem
vezes
Sem
filhos
Cem
promessas
Sem
calor
Cem
viagens
Sem
poesias
Cem
projetos
Sem
vida
Cem
objetos
Sem
mais nada

Fechou o livro.
Agora escreva outro,
sem páginas numeradas, por favor.

sábado, 29 de dezembro de 2007

E lá se vai um século! Um século!

Com toda sinceridade, não tenho pretensão para chegar a 100 anos, é muito tempo, hoje não me vejo preparado, quem sabe daqui a algum tempo, mas admiro quem chega bem lá.
Não pelo simples viver, que já é árduo na maioria das vezes, nem pelas tantas mazelas que a vida vai nos colocar à frente nessa longa jornada, mas o medo, sim, se não penso em chegar a tal idade o maior motivo é o medo, o medo da demência. Chegar aos 100 com clareza de pensamento não é para todos.
Quando tinha um terço ou menos da minha idade, já que estou falando dela, conheci algumas estruturas em minha cidade natal, São Paulo, que me deixavam meio estarrecido. Um prédio em forma de S; um parque muito verde, com lagos e tudo enquanto, com estruturas imensas de concreto pelo meio, com verdadeiras intervenções em meio do verde, uma cúpula, um outro prédio retangular mas que por dentro traz uma serpente em forma de passarela, ou vice-versa, uma enorme marquise, que os jovens usavam para brincar de patins, bicicletas e pular cordas, e embaixo dela ainda museus, lanchonetes; noutro parque, aí já mais novo, uma enorme mão espalmada de concreto, com um veio de sangue em vermelho vivo onde se desenhava a América Latina nos dava as boas-vindas e ali uma infinidade de outras estruturas, todas muito bem organizadas compondo um espaço único. Depois de algum tempo, entre críticas, pois não são todos que gostam das tais estruturas, descobri que existia um único Ser que havia pensado nisso tudo.
Acho que daí veio o meu sonho, já na metade da minha atual idade, de enveredar por esses campos. Fui relapso, é certo e assumo, pois não fui buscar mais detalhes do sujeito àquela época, mas passei a olhar as construções com outros olhos.
Alimentando o sonho, com um orçamento familiar muito apertado cheguei a cursar o Colegial Técnico em Edificações, no qual cheguei a ser habilitado, e ali conheci um mundo de coisas e gentes, uma delas é meu Mestre até hoje, Manoel Nery, que vivo citando por aqui (Não deu Manoel, não me contive, afinal você fez parte), mas por um erro crasso deixei o sonho de lado e corri atrás do dinheiro. Burrice plena, afinal quando somos jovens sonhar é mais barato(!), e atrás do dinheiro corro até hoje. Mas não era aqui que queria chegar, falava sobre uma pessoa que desde um bocado de tempo me chama atenção.
A visão dele relação ao mundo é genial, procure assistir ou ler uma entrevista, que aliás são muito raras, e duvido não se apaixonar.
Um Brasileiro genuíno, sonhador de um mundo melhor, irreverente de humor ácido, talvez um dos últimos comunistas autênticos, Stalinista, um ser pensante até hoje, para ter idéia, em seu escritório são ministradas semanalmente aulas de filosofia com ciência, não sei se rico, mas se foi em algum momento, nunca ninguém soube.
Os amigos dele? Ah, foram e são os mais diversos seres pensantes, Prestes (à quem deu a casa onde era seu escritório de arquitetura no Rio para que o Partido Comunista Brasileiro se instalasse), Darcy Ribeiro, Gershon Knispel (artista Plástico), Ferreira Gullar (Vulgo Tio José) e mais um monte de gente boa. Não dá para ficar citando muita coisa, ele é infindável!
Odeia especialistas, acha-os todos os maiores burros que a ciência pode compor. Para ele todo ser humano tem que saber um pouco de tudo, de Filosofia, de Matemática, de Línguas, de Sociologia, de Biologia, de tudo, tanto prova, que num dos mais astutos projetos, na Argélia, ele fez uma Universidade inteira em apenas 2 prédios. "Eu queria fazer o que o Darcy Ribeiro propunha: dar mais ligações para que os estudantes tivessem mais contato, trocassem experiências. Então, aí é o ensino que evolui e influencia a arquitetura. De modo que a arquitetura cresce com esse apoio lateral da sociedade, da técnica."
A Obra deste mestre foi reconhecida nos quatro cantos do mundo e é muito vasta!
Pode parar um instante e bater palmas, ELE É UM BOM BRASILEIRO e já soma 100 anos de vida!
O meu singelo muito obrigado pelo legado deixado, por ter me apresentado uma das ciências que mais admiro. O presente quem ganhou fui eu (nós), e o que são 14 dias de atraso para quem já passa dos 100 anos?
Parabéns Oscar Niemeyer!

Saiba mais sobre Oscar Niemeyer

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

O fim de mais um ciclo. Feliz 2008!

Amigo leitor,
Mais um ano termina, na verdade faltam 4 dias e algumas horas, mas já vou me adiantando e deixo aqui minha mensagem para o próximo que já bate à porta.
Acredito que na vida tudo é cíclico e os momentos de início e fim são as vezes mais importantes que o ciclo em si.
O ciclo não é determinado pelo dia 31, poderia ser no dia 5, 14, 20, ou qualquer outro. O ciclo tem início quando determinamos que aquele momento é o início. Pode ser um início de uma relação, de uma empresa, de um curso, o nascimento, o plantio, cada um desses itens e outros tantos tem um início e este momento é mágico. Um dia escreverei mais sobre isso, acho muito pertinente.
Para o final deste e inicio do próximo, deixo um vídeo lindo que recebi e que transmite exatamente o que desejo ao leitor, que passa aqui com seus olhos e perde alguns minutos da sua preciosa vida, assim como àqueles que me cercam e àqueles que quero tão bem, mas que geograficamente estão longe.
Um lindo 2008 para todos nós!

Por favor, me chame para bater! (Sempre!)

Quando quiseres,
atinja-me em cheio.
Minha face para que batas!
Só não tente na vertigem,
não aja no desespero.
Arruínas o que não te pertence,
apunhalas o Virgem!
Tudo por conta
dos teus loucos devaneios...