Mostrando postagens com marcador Manoel Nery. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Manoel Nery. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Dilúvio

Mais uma vez, quem é Mestre dá a cara, vai daí lagarta ou gafanhoto, dê seu palpite aqui ou lá no blogue dele!

Dilúvio


Das casas o teto contemplava o céu revolto,
Um grito suplicante entre os destroços.
A salvação estava nos morros; era fugir.
Mas os morros correram com medo
E se abraçaram aos fugitivos numa ternura conivente de um silêncio manso...
E escaparam libertos e libertinos saqueando as casas; levando-as de roldão,
Entupiram as estradas e cortaram o humano o socorro.
Os sobreviventes esperavam que a fome, a sede completassem o cerco.
Vestidas de vampiros, elas rondavam os que já não tinham lágrimas.

As águas roeram o morro,
O povo no sem-socorro
Andando na contramão.
E tanta vida enterrada
À força, na compulsão.
Dos vivos sobrou a cada
Uma vida sem razão.

Quem disse que este povo não é grande?
Quem disse? Pois é.
Organizou a reação com tanta força que a natureza se enrubesceu do papelão.
Fosse acertar conta com aqueles que mexeram com ela.
Vingança barata e aleatória contra um povo indefeso e inocente!
Assim não! É covardia.
Mas a massa se muniu de armas,
Encheu a barriga dos gafanhotos,
Nutriu as lagartas e lá se foi
Em defesa do que restou.
Um cenário de guerra estrangulou a terra.
Mas as providências vão chegando para aliviar tantas orfandades.
Por sobre um povo por que tanta sina,
Que o manto rasga a Santa Catarina?

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Tristeza

Esse eu pesquei bem dali do blogue do Mestre Manoel Nery.
Claro, pesquei por ter gostado, mas tem endereço próprio!

Tristeza

Tristeza é um sentimento do sujeito com piedade de si mesmo; eu sou vítima de uma perda, de uma ingratidão, de um não reconhecimento que eu esperava.
É a dor de esticar a mão e não alcançar o objeto, o braço encolheu; a tristeza tem causa em algo que nos escapou; portanto, nutre-se do passado.

Na perda de um ente próximo, quando se exaltam suas qualidades, por trás do que se diz, fica a impressão de que a exaltação se dá pelo que se perdeu com a ausência dele.

Assim a tristeza se veste com roupas antigas e se mascara com o novo; sabe conduzir a mente a voltar-se para as periferias si mesma.

A tristeza tem o dom de tornar um ambiente escuro, sombrio; não se saber abdicar do que se perdeu; não se aproveita a derrota para aprender algo; não se cresce com a derrota.

A tristeza nos arrasta para o passado e o passado é um tempo fora de nossa realidade aqui e agora. Viver no passado é alienar-se, sair de si mesmo para um tempo que já não mais existe; ai a tristeza faz ninho.

Mesmo na perda mais pessoal é preciso entender aquilo com um exercício de abdicação, de solidão, uma possibilidade de despertar outras potencialidades que se encontravam latentes.

domingo, 22 de junho de 2008

Colagem de quem morre aos poucos... será?

Morrer exige um bocado de vida, de vivência.
Não faz sentido? Leia a mais esta colagem de texto do querido amigo Manoel Nery!

A morte de mim mesmo


Há muito tempo sim, venho morrendo. Cada abdicação é um ato de morrer. A abdicação não é morte que aniquile; é morte que vivifica.
Se temos consciência de que em nós, outros valores fazem morada, é preciso que os consideremos no conduzir nosso destino. No convívio desses valores, precisamos abdicar da palavra e dos pensamentos; esses dois abdicares são os requisitos que encontram afinidade com a morte.
Não abdico dos bens porque não os tenho; mesmo se os tivesse, não me teria prendido a eles; não são os bens que nos dissipam; nós é que nos dissipamos pela obsessão com que os preservamos.
Se eu vou precisar fazer uma prova na faculdade, eu preciso estudar, preparar-me; por que não adotar o mesmo critério se a morte é uma prova? De maneira que minha abdicação seja um ato de adaptação ao que está por vir.
Morro todo dia na minha condição de recluso; morro todo dia e a solidão vem me cochichar segredos de outras instâncias, onde a sabedoria é cantora mestra; fico motivado por aderir-me ao coral dos espíritos que souberam afinar-se nos diapasões de outras plagas. Ali a sabedoria dá o tom e as vozes se espalham pelos recantos do sem-fim.
Deixo meu testamento composto de intenções; é só pegar e registrar como de cada um; os herdeiros serão aqueles a quem servirem os bens de meu testamento.
Deixo minha alma entre amigos; ela será testemunha de que não soneguei o saber, já porque nada sabia.
Por fim peço a meus amigos que, se encontrarem algum espólio de mim em seu coração, dividam com outros; que a semente se propague de geração em geração.


Fora disso, é o vazio em que já vivo, celebrando a cada dia a morte de mim mesmo.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Observando "O Perdão"

Faz tempo que não escrevo.
Alguns me perguntam se estou bem, o que tem acontecido. Explico: trabalho querido leitor, trabalho... sem ele a roda não anda e como ainda não fui agraciado com um cartão corporativo do (des)Governo, não ganhei os últimos R$20 milhões da Mega-Sena, porque também não jogo, só me resta continuar na labuta.
Mas estou bem, seguindo a “doce” rotina, ainda que de vez em quando ela teime em ficar meio amarga; mais açúcar!
Tenho algumas dívidas minhas para colocar por aqui... O texto sobre os ciclos, outro sobre o sonho do homem ser como Ícaro fazendo um paralelo aos brinquedos de criança e adultos, mas por falta de tempo (ainda), deixo-os com mais um texto do amigo e Mestre Manoel. Eu sei, é coisa de vagabundo copiar sem expressar opinião verdadeira, mas nesse caso a única opinião breve que posso dar é que o Autor consegue em poucas linhas explicar coisas não tão simples com maestria! Um brinde!

"O Perdão


É um ato de isenção ante situações desagradáveis, ofensivas, humilhantes e tantas outras formas de ofensa. Você se isenta daquilo; aquilo não é pra você; o endereço está errado.
O perdão não é um princípio de religião; as religiões é que o adotaram como norma de orientar-nos a sairmos da lei de causa e efeito. A lei de causa e efeito é da Física: a cada ação corresponde uma reação da mesma natureza e em sentido contrário.
Traduzindo em miúdos, tudo o que eu faço volta para mim. Esta é uma lei como o jogo de ioiô: joga-se o ioiô e ele volta. Se tudo o que eu faço volta para mim, o ódio que eu tenho por alguém volta para mim, a mágoa, a inveja, o medo tudo volta para mim, sedimentando sempre mais meu rancor.
Quando alguém me ofende, lança sobre mim uma carga de energia do movimento; eu posso receber ou não aquela energia; se dou atenção àquilo, estou recebendo aquilo; se revido, fico saturado da energia ruim que veio do ofensor; saio do meu normal e vou agir conforme ele quer. Se me mantenho em repouso, se a provocação é ignorada, a energia que veio volta para o agressor porque eu estou num nível de energia que a dele não alcança.
Está aí na Internet a história daquele monge provocado por um samurai; o samurai o ofendeu de toda forma. Depois de algumas horas, saiu xingando o monge de covarde por não ter aceitado o desafio. Então os discípulos:
- mestre, como é possível o senhor suportar tanto!
- quando alguém lhes traz um recado que não é endereçado a vocês, o que vocês fazem?
- nós devolvemos; houve erro de destinatário!
- aquele moço trazia um recado que não era para mim; era não receber.
Dá pra perceber o que é o perdão? É colocar-se nesse ambiente de neutralidade em qualquer circunstância da humilhação, usurpação, ingratidão.
O perdão não é o ato de dizer “eu perdôo”; isso pode não significar nada; o perdão é ato de me manter sereno diante das más intenções.
Quem perdoa sai da turbulência; quem perdoa entra em si. O perdão é uma espécie de esconderijo; eu me escondo das intenções ruins do ofensor; o perdão é uma capa de proteção. Estejamos protegidos.
O fato de eu perdoar não me isenta de levar o agressor à justiça. Se não fizer a queixa, eu estou sendo conivente com as atitudes do agressor; ele se sente estimulado a repetir as mesmas atitudes com outra pessoa.
Nos filmes em que aparece oposição bem e mal, uma das facções está sempre agitada; a oposta está calma, está neutra, já se deduz quem vai vencer, por maiores que sejam as estratégias do rival."
Texto extraído na íntegra do Blog Ser - Por Manoel Nery

sábado, 24 de novembro de 2007

Parabéns!!!

Eu sou um novato nesse negócio de blogue e a cada dia me surpreendo nesse mundo!
Essa Observação é para parabenizar o meu amigo e Mestre Manoel Nery que na última quinta-feira fez dois anos de blogador (Não suporto a palavra blogger).
Manoelzinho é uma figura ímpar. Deixa seus claros pensamentos em seu blogue sem querer aplausos nem esmola alguma. E ele é assim no seu dia a dia, o blogue dele é ele!
Êta ser iluminado, arretado demais!
Parabéns mais uma vez querido, continue sempre assim, discreto, simples, humano, pensante e, claro, blogando!

Eu não acredito que você ainda não visitou o blogue dele! Passe lá e tome um banho de espiritualidade!

domingo, 4 de novembro de 2007

Comentário - Pensadura - O Mestre e seu Discípulo

Vejam o que diz o Mestre Manoel Nery num correio eletrônico acerca da Observação que fiz no dia 01 de novembro (Pensadura - O Mestre e seu discípulo) e a outra moral da estória, repleta de espiritualidade:

"Aquela do pássaro congelado é muito boa; o pássaro ia morrer no âmbito da terra; o discípulo o preparou para as alturas, para um plano superior, conduzido por uma águia; essa é também a função dos homens: preparar outros que voem como pássaros a outros planos, conduzidos pela própria alma."

Grande Manoel! Como podes dizer que tens débito comigo? Aff...

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Dúvida

"Como é isso?
Eu sinto depressão, saudade e digo que estou com um vazio no coração.
O ideal do místico é esvaziar o coração.
Quem tem depressão é místico?
Como sair desta?
Toda depressão e suas variações são causadas por uma ausência; deseja-se que a tal ausência seja preenchida.
Toda mística é caracterizada pelo desejo de ausência; o místico procura estar ausente inclusive de si mesmo; o místico quer o espaço vazio.
O depressivo quer preencher aquele espaço; o depressivo sente o peso da solidão.
O místico quer quanto mais funda a solidão.
Deduz-se que o coração do depressivo não está vazio; está cheio daquilo que ele quer alcançar, está cheio de carências; o depressivo olha para si e tem dó de si mesmo.
O místico tira o olhar de si mesmo: fecha os olhos para entrar no repouso.
No depressivo predomina o movimento, a agitação.
No místico predomina o repouso; a meditação com que ponha o coração no ritmo do silêncio.
Por fim, o depressivo almeja o ter.
O místico almeja o ser."

Mais uma vez na mosca! O texto acima foi extraído na íntegra do Blog do Querido Mestre Manoel Nery. O nome do Blog é SER. Atenção! Nada coincidente, é intencional mesmo!
Observe lá otras cositas más!

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Rouborizou a face, mas devidamente Observado!

Estes carinhosos versos foram escritos pelo Mestre Manoel Nery, e a vaidade não coube em mim, transbordou. Apresento-os para serem devidamente Observados. E por falar em Observar, já observaste o Blog dele? E o arquivo? Então saia imediatamente daqui e vá lá primeiro! Aqui é só um apanhado, um entreveiro maluco, lá têm conhecimento!
Obrigado Mestre! Dizes que o ajudo de alguma forma a carregar o piano, só tenho a dizer que sou fraquinho, mas a intenção é a melhor!

Rodrigo,
Gosto de poesia.
Que alegria!
Faz referências a mim
Que eu não sabia.
Mas é assim o destino.
Quando menos se pensa,
Um pente fino
Nos chama à razão do próprio ser.
Como acontece com Rodrigo:
De assim viver,
Logo mais lhe desperta a poesia
É o que digo.
Nas asas de Ferreira Gular,
Mestre da virilidade poética.
Mas Rodrigo tem o modo dos modernistas:
Quebra o tom por uma galhofa.
Sutil, fina
Que deixa transparecer
Alma menina,
Uma luz acesa, um clarão
É Rodrigo em ação,
Por exprimir a voz do coração.

Minha humilde resposta ao Mestre:

Mestre,
não mereço,
mas agradeço,
envaideço,
ruboriza-me a face,
mas se é o Mestre quem diz,
calo, como sempre fiz.
Seu eterno aprendiz.