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quarta-feira, 20 de agosto de 2008

No corpo, a poesia é o presente!

NO CORPO

De que vale tentar reconstruir com palavras
o que o verão levou
entre nuvens e risos
junto com o jornal velho pelos ares?
O sonho na boca, o incêndio na cama,
o apelo na noite
agora são apenas esta
contração (este clarão)
de maxilar dentro do rosto.

A poesia é o presente.

*Ferreira Gullar, ou tio José como alguns preferem...

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

49º Jabuti - Deu até na Folha (!), tá "blogado"!

Amigos, acabou de "dar" na Folha de São Paulo on line, tenho que "blogar"!

Gullar ganha o Prêmio Jabuti pelo livro de crônicas "Resmungos"

por MARCOS STRECKER da Folha de S.Paulo


Resmungos", do poeta Ferreira Gullar, e "Latinoamericana - Enciclopédia Contemporânea da América Latina e do Caribe", organizada por Emir Sader, Ivana Jinkings, Carlos Eduardo Martins e Rodrigo Nobile, foram escolhidos os Livros do Ano (ficção e não-ficção, respectivamente) do 49º Jabuti, o mais tradicional prêmio literário brasileiro. Os prêmios foram entregues ontem à noite, na Sala São Paulo.


O livro de Gullar, publicado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, reúne as colunas que o autor publicou na Folha em 2005. Gullar dedicou o prêmio a Antonio Henrique Amaral, autor da aquarelas, xilografias, óleo e colagens que ilustram "Resmungos" e as colunas de Gullar na Folha.


O vencedor de cada uma das 20 categorias recebeu um troféu, junto com a respectiva editora. Os segundos e terceiros lugares também levaram um troféu Jabuti. Os nomes dos três primeiros colocados em cada uma das seções já haviam sido anunciados em 21 de agosto passado. Carlos Nascimento Silva foi o primeiro lugar na categoria "romance" com "Desengano" (Agir). A lista completa dos vencedores está no site http://www.premiojabuti.org.br/.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

O filho Ilustre de Dª Zizi

José de Ribamar Ferreira. Maranhense, Ludovicense, filho de Dª. Zizi (Alzira Ribeiro Goulart e do comerciante Newton Ferreira), ela, vaidosa demais, falecida recentemente, que é mãe de Alzira (sim o mesmo nome da mãe) e de mais 10, 11 no total. Alzira, a filha, teve dois filhos e uma filha. Mas como a família é enorme, não vou me alongar. Na casa da família é chamado carinhosamente por Tio José. Estreou na poesia em 1949, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1951 onde começou como jornalista e daí não parou mais. Foi exilado político e vivendo em Moscou, Santiago, Lima ou Buenos Aires não parou de trabalhar. Na opinião de alguns críticos é atualmente uma das vozes mais expressivas da poesia brasileira. A linguagem que utiliza vai além do horizonte das palavras, pois o poeta é também crítico de arte e pinta quadros, faz desenhos e colagens. É o que ele chama de seu "lado B".
Mas você deve conhecê-lo mesmo por FERREIRA GULLAR.



Cantiga para não morrer


Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.

De Dentro da Noite Veloz (1962-1975)
Deleite-se com o site oficial do poeta multimídia.